Casa de bonecas
Casa de bonecas da Yasmim
CASA DE BONECAS
Chorei.Pois voltei a anos atrás! Da Taissa menina, meu pai presente, sonhamos "casas de boneca". Hoje tenho esses momentos em fotos e no coração, já que as casas não existem mais! Muito se passou. Meu pai já se foi, Taissa e Yasmim nem brincam mais! Pelas fotos tenho noção do tempo…
Verdade, essa imagem me faz lembrar de muito mais!
Anos atrás ainda casada e com uma filha pequena. Casada com um pedreiro iniciante que preferia se denominar “construtor” é que ser denominado construtor dava “status” de que tinha uma firma, onde ele e amigos trabalhavam como pedreiros e ajudantes em reformas ou construções novas. Aí cabe uma observação: no Ensino Médio me diplomei em “Desenhista de Arquitetura” no Instituto Auxiliadora. Aprendi ler e interpretar desenhos arquitetônicos. Voltando ao meu casamento, meu marido trabalhou numa reforma e nos aproximamos do casal que também tinha uma filha pequena As crianças se tornaram amigas. E, mais tarde, brincavam alegremente na Casa de Bonecas feita pelo meu pai! Meu pai era inteligente e jeitoso com as ferramentas! Ai estou me adiantando um pouco. Lembro-me que pequena, ainda no apartamento, separava com pequenas cadeiras de dobrar presenteadas pelo mu pai, que fechadas serviam de cerco para minha casa imaginária bonecas, ou minha casinha que brincava, horas e horas sozinha! Aquele espaço era tão cuidado que o chão era muito lustrado e varrido com esmero! Creio ser o sonho da Casa de Bonecas! Meu pai decidiu dar asas ao meu sonho anos depois! Mas nesse período ouvi da amiga e mãe da coleguinha um comentário que me marcou muito. A Taissa repetia que quando crescesse seria advogada. Se encantara com o Dr. Getúlio o advogado que fez o processo de adoção dela. Quando comentei isso em uma conversa, minha amiga disse, que ser advogada era uma escolha ruim pois advogados defendem criminosos. Fiquei sentida e passei muito tempo com essa mágoa. Hoje sei, que todos merecem defesa e chance de recomeço mesmo porque nem todos têm a mesma estrada. Minha amiga, o marido e a filha eram lidos como brancos. Ele tirava seu sustento comocaminhoneiro e ela como vendedora de roupas informal. Tinham uma vida controlada e educaram a filha em colégio particular. Nada demais eu fui ducada em colégio particular e a Taissa em Instituição filantrópica. Essa visão de não procedemos de Escola Pública nos provoca uma visão enviesada da vida, meio meritocrática. Eu, como estudei em colégio particular, achava que isso era comum a todos. Já meu marido branco e descendente de italianos, julgava que só o trabalho tornava digno o homem. Uma visão que repetia um dizer nazista.Nem eu, nem ele percebíamos o engano. Mas enfim, através da Taissa tive realizado um dos meus sonhos de criança!



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"Vamos lá fazer o que será"