Sem cor

 

               https://share.google/ib1QjGjZrvf5jr0qw


Na minha Certidão dizia “branca”. Talvez porque meu pai fosse pardo e de olhos claros nos anos 60. As pessoas no cartório não sabiam que minha mãe era negra. No Brasil estava entranhada a ideia de “Democracia Racial”. Famílias dos meus pais eram pobres, sem nenhum bem material. Eram desde sempre trabalhadores. Numa especialização, História e Cultura Afro-brasileira, com o nome “A Inconclusa Abolição”, afirmei em sua conclusão, que o negro “mimetizou” o branco para ser aceito na sociedade. Assim procurou não se expor ao sol, alisou o cabelo ou manteve curto, para que não aparecessem cachos. O ideal de perfeição era o branco, sendo assim por que as vagas de emprego eram para brancos de preferência. Dessa maneira a mistura de negro e branco, descendente de negro, só seria outro branco! Pardo é papel!


Comentários

Postagens mais visitadas