Antônio e Cici
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País da minha mãe. Ele preto e ela de sangue originário brasileiro.
Ambos, como todos brasileiros e analfabetos, representantes dos brasileiros daquela época. Desconheço a ocupação dos meus bisavós. Eram pretos., o Antônio era eletrecista, trabalhava na CBCC ( Companhia Brasileira de Carbureto e Cálcio da cidade) a empresa de imigrantes italianos na intenção no branqueamento da população. Cici, a Aracy, era resultado da miscigenação de uma portuguesa e de um povo originário. Mulheres casavam-se cedo e letras eram desconhecidas. Deveriam cuidar do marido e da família. A prole era pensada para ajudar no orçamento familiar. Lembro da pele bronzeado com pouca ou nenhuma marca do tempo. Cabelos encaracolados bem pretos, presos em coque na nuca, com o passar dos anos desafios, algumas mechas brancas. Pernas sem acidentes vasculares. Antônio, era íntimo de alguns instrumentos musicais: banjo, clarinete, o que mostrava alguma ligação com a boêmia. Mas não presenciei serem tocados. Um hálito distante de bebida, também não via alguma alteração. Cici contava que sua irmã caçula teve as mãos queimadas no fogão pela madrasta… Era ,como se dizia “um pé de boi” para trabalhar! Uma mãe devotada aos filhos e ao Antônio. Antônio, depois de uma vida sacrificada dava sinais de senilidade e num dia, levantou-se vestindo ceroulas e paletó, saiu em busca de uma casa na madrugada. Talvez, notando que trabalhou a vida toda por comida e nada acomulou!



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